sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Era ou não era?

Pipocaram hoje pela manhã notícias em relação à prisão de um motorista de um político influente.
"...O Denarc prendeu nas primeiras horas de hoje, 26/02, três pessoas por tráficos de cocaína. Entre os presos está o motorista de um político influente. O pré-nome do motorista é Alexandre".
Depois vieram outras do tipo:
..." O Denarc prendeu nas primeiras horas de hoje, 26/02, três pessoas por tráficos de cocaína. Entre os presos está o motorista de um deputado federal".
Minutos depois, as informações nos sites foram corrigidas:
..." O Denarc prendeu nas primeiras horas de hoje, 26/02, três pessoas por tráficos de cocaína. Entre os presos está o ex-motorista do deputado federal Jackson Barreto".
O negócio foi logo colocar a notícia do motorista de um político famoso e só depois se viu que era o ex. E fica aqui a dúvida: quem disse que era o atual motorista??

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

RIisco de vida /risco de morte

O texto é de Cláudio Moreno /Zero Hora
Um educado leitor escreve para estranhar que este jornal utilize a expressão risco de vida, alegando que um professor de renome já corrigiu este equívoco de uma vez por todas: "É risco de morte, pois só pode correr risco de vida um morto que está em condições de ressuscitar". Sinto dizer-te, meu polido leitor, mas não é bem assim que funciona. A experiência me ensinou a suspeitar, de antemão, de tais "descobertas" adventícias, feitas por essas autoridades que
aparecem para me anunciar, com aquele olhar esgazeado do homem que viu a bomba, que eu estive cego e surdo todo esse tempo. Talvez não saibas, mas o Brasil assiste agora a uma nova safra desses Antônios Conselheiros da gramática: volta e meia, aparece um maluco disposto a reinventar a roda e a encontrar "erros" no Português que já era falado pela avó da minha bisavó e pelos demais antepassados -incultos, cultos ou cultíssimos. O que esses fanáticos não sabem (até porque, em sua grande maioria, pouco estudo têm de Lingüística e de Gramática) é que, mesmo que a forma que eles defendem seja aceitável, a outra, que eles condenam, já existia muito antes do dia em que eles próprios vieram a este mundo para nos incomodar. Os falantes do Português sempre interpretaram esta expressão como a forma elíptica de "risco de perder a vida". Ao longo dos séculos, todos os que a empregaram e todos os que a ouviram sabiam exatamente do que se tratava: pôr a vida em risco, arriscar a vida. Assim aparece na Corte na Aldeia, de Francisco Rodrigues Lobo; nas Décadas, de João de Barros; em Machado ("Salvar uma criança com risco da própria vida...", Quincas Borba); em Joaquim Nabuco; em Alencar; em Coelho Neto; em Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós; na Bíblia, traduzida por João Ferreira de Almeida no século 17 ("Ainda que cometesse mentira a risco da minha vida, nem por isso coisa nenhuma se esconderia ao rei", II Samuel 18:13); e assim por diante. Além disso, nossas leis falam em "gratificação por risco de vida", o Código de Ética Médico fala de "iminente risco de vida" e o dicionário do Houaiss, no verbete "risco", exemplifica com risco de vida.

E agora, meu caro leitor? Achas mesmo que o teu renomado professor, se pudesse entrar em contato com o espírito de Machado ou de Eça, teria a coragem de dizer-lhes nas barbas que eles tinham errado durante toda a sua vida literária - e que ele estava só esperando a oportunidade para dizer o mesmo para Camilo Castelo Branco, Joaquim Nabuco e outros escritores que não tinham tido a sorte de estudar na mesma gramática em que ele estudou?

Nota, porém, que a defesa que faço do risco de vida não implica a condenação do risco de morte, que também tem seus adeptos - entre eles, o padre Manuel Bernardes e o mesmo Camilo Castelo Branco, que, nesta questão, acendia uma vela ao santo e outra ao diabo. Na maioria
das vezes, seu emprego parece obedecer a um critério sutilmente diferente, pois esta forma vem freqüentemente adjetivada (risco de morte súbita, de morte precoce, de morte indigna) ou sugere uma estrutura verbal subjacente (risco de morte por afogamento, de morte por parada respiratória, de morte no 1º ano de vida, etc.) - ficando evidente a impossibilidade de optar por risco de vida nessas duas situações. Como se vê, somos obrigados a reconhecer que também é moeda boa, de livre curso no país, a única a ser usada em determinadas construções - mas não é um substituto obrigatório do consagradíssimo risco de vida.

Aliás, a disputa entre as duas formas não é privilégio nosso, pois ocorre também no Inglês (risk of life, risk of death), no Espanhol (riesgo de vida, riesgo de muerte) e no Francês (risque de vie, risque de mort).

O equívoco da renomada (famigerada?) autoridade que mencionas, prezado leitor, foi acreditar ingenuamente que a nossa língua existe para expressar nosso pensamento, devendo, portanto, obedecer aos critérios da lógica - teoria que andou muito em voga lá pelo final do século 18 e que foi abandonada junto com a tabaqueira de rapé e o chapéu de três bicos. Por este raciocínio, se enterro um prego na madeira e enfio a linha na agulha, não poderia enterrar o chapéu na cabeça e enfiar o sapato no pé (e sim a cabeça no chapéu e o pé no sapato...); um líquido ótimo para baratas deveria deixá-las alegres e robustas, e não matá-las. A língua não pode estar submetida à lógica porque é incomensuravelmente maior do que ela, já que lhe cabe também exprimir
as emoções, as fantasias, as incertezas e as ambigüidades que recheiam o animal humano. O Português atual, portanto, é o produto dessa riquíssima mistura, sedimentada ao longo de séculos de uso e aprovada por esse plebiscito gigantesco de 900 anos, que deve ser ouvido com
respeito e não pode ser alterado por deduções arrogantes e superficiais.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Vale a pena ler / Observatório da Imprensa

51% das escolas de
jornalismo reprovadas

Quem foi que errou?

Alberto Dines

O assunto foi manchete da Folha de S.Paulo, chamada destacada no Jornal do Brasil, O Globo e pequena no Estado de S.Paulo. Não é para menos: 23% dos cursos superiores de engenharia elétrica, mecânica, economia e jornalismo avaliados pelo Ministério da Educação não oferecem condições adequadas de ensino.

O mais grave da notícia – pelo menos no tocante a quantidades – só foi destacado por O Globo: o pior desempenho foi dos cursos de jornalismo, que tiveram um índice de reprovação de 51% !

O não dito é ainda mais preocupante: a imprensa foi a última a saber. Surpreendida, como sempre, incapaz de prevenir e antecipar. Jamais investigou aquilo que lhe diz respeito. Deu as costas tanto ao seu interesse como ao interesse público.

Essa é a grande verdade: as empresas jornalísticas não estão minimamente interessadas em acompanhar a produção da matéria-prima essencial para alimentar a sua qualificação: recursos humanos. Fazem aqueles cursinhos de treinamento para badalar os resultados, aproveitam os mais expeditos, cumprem a lei do diploma e o resto que se dane.

Combinação de descaso com inapetência, ambos alimentados pelo interesse pecuniário: fiscalizar as escolas de jornalismo significa antes de tudo denunciar o descalabro do ensino superior privado, hoje um dos grandes anunciantes da mídia diária. Dois dos maiores jornais brasileiros (Folha e Globo) ostentam entre os seus colaboradores regulares o lobista-mor do ensino superior privado, Arnaldo Niskier. E isto não acontece por acaso ou em função do talento do escriba: é acerto mesmo – toma lá, dá cá.

A divulgação desses dramáticos resultados confirma o que este Observador vem dizendo aqui, desde 1997:

  • O ensino do jornalismo precisa ser reexaminado. Professor de disciplinas técnicas deve ser jornalista, com militância profissional reconhecida e comprovada (além dos demais atributos acadêmicos).
  • Uma escola de jornalismo deve coexistir com um projeto jornalístico regular e permanente. Não se ensina medicina sem um hospital, clínica ou ambulatório.
  • A pós-graduação em jornalismo é uma necessidade. É preciso separá-la definitivamente da pós em comunicação. A base é comum mas são matérias distintas, assim como farmacologia e medicina. O orientador de monografias ou teses sobre jornalismo deve ser um professor com experiência comprovada em redações para impedir que os trabalhos de pós-graduação em jornalismo continuem a conter as asneiras que serão reforçadas em trabalhos posteriores.
  • O provão veio para ficar. Se algumas definições precisam ser reexaminadas, que sejam reexaminadas. Se alguns critérios precisam ser revistos, que sejam revistos. Mas o processo regulador e fiscalizador como um todo não pode ser revertido. Ser contra o provão hoje é o mesmo do que proclamar-se contra a reforma do Judiciário [veja rubrica Diretório Acadêmico, nesta edição].

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Perguntar não ofende!

Também encaminhado ao IML no último domingo,14, os corpos de Manoel Messias Santos Santana, 50 anos, com causa da morte ainda indeterminada e José Genivaldo dos Santos, 22 anos, que faleceu após cair de um caminhão nas proximidades da cidade de Canidé do São Francisco.

Populares da cidade de Neópolis estão chocados com o assassinato de um jovem no último domingo, 14. De acordo com informações da delegacia da cidade, Ronaldo dos Santos, 26 anos, morreu após ter sido golpeado com um facão e arrastado por alguns metros, amarrado a um animal.

As duas notícias são de um site local. Na primeira temos a falta de concordância entre os termos: encaminhado... e os corpos de ...
E nas duas temos ainda uma curiosidade:...faleceu após cair de um caminhão e...morreu após ter sido golpeado. Poderia ser antes? Que tal: morreu ao cair de um caminhão e morreu ao ser golpeado?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Tá gostando?

Lá vem aquelas famosas reportagens de carnaval em que os repórteres sem qualquer tipo de esforço para algo mais criativo, brindam os telespectadores com perguntas do tipo:...tá gostando do carnaval? ...tá gostando da festa?...tá se divertindo?.Eu ainda queria ver alguém responder no meio do carnaval de Olinda ou na muvuca de um bloco em Salvador:...não, meu amigo, eu estou detestando essa festa, mas como eu sou masoquista eu faço isso sempre que quero sofrer!!!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Dica da estudante de Jornalismo Valéria Ferreira

A sugestão de William Bonner, dada durante entrevista à Marília Gabriela, (assunto do último post) foi sobre História Geral, do Brasil, do Mundo. Mas recebi um comentário muito bacana da estudante de Jornalismo, Valéria Ferreira, que nos deu uma dica preciosa: um site com artigos e informações importantes sobre a História da Imprensa no Brasil. Vale a pena consultar e saber mais! www.arquivoestado.sp.gov.br/memoria

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Língua Portuguesa e História para jornalistas


Em entrevista ao programa Marília Gabriela, no GNT, o apresentador e editor-chefe do JN /Rede Globo, William Bonner, falou sobre a queda do diploma para a profissão de Jornalismo. Disse que o mercado passa por grandes dificuldades mas deve se recuperar nos próximos anos. Lamentou a formação de muitos profissionais e disse que uma das grandes dificuldades é fazer com que o jornalista escreva com clareza, concisão e precisão. "As universidades poderiam investir mais em História e Língua Portuguesa. Isso faz uma grande diferença na hora em que cada um chega ao mercado de trabalho".

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Boris Casoy e Band podem responder por 13 ações de garis na Paraíba

O caso do comentário jocoso do jornalista Boris Casoy a respeito de dois garis durante a edição de 31 de dezembro do "Jornal da Band" pode gerar um imbróglio judicial de proporções incalculáveis à TV Bandeirantes e ao âncora.
ivulgação
Boris Casoy

O advogado José Dinart Freire de Lima, que junto à advogada Miriam de Souza Lima, é responsável pelo processo do gari paraibano Demilson Emídio dos Santos contra o jornalista - o quarto do caso - declarou em entrevista ao Portal IMPRENSA que, só na cidade de Campina Grande, sob sua tutela, existem outras 12 ações de garis que sentiram-se ofendidos com o episódio.

O valor estipulado nas ações paraibanas é de R$ 50 mil, mas Lima acredita que, após julgamento da primeira ação, será estipulado um teto que "não onere de maneira desproporcional nem a emissora, tampouco o jornalista".

Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Procurador da prefeitura de Boquim / SE teria tentado intimidar radialista

O radialista Ferreira Filho que apresenta o programa Jornal Regional na emissora Super Nova FM de segunda a sexta das 12 às 14 horas foi surpreendido na tarde de quinta-feira, 05, quando entrevistava a secretária municipal de educação de Boquim, Simone Moura.
Ferreira comentou sobre um alvará solicitado pelo grupo Bom Preço, que pretende instalar uma loja no município. Foi feita uma cobrança de agilidade na liberação do documento que se arrasta na burocracia da prefeitura, principalmente, pela geração de empregos que a empresa vai gerar na cidade.Incomodado pela cobrança, o procurador da prefeitura, Pedro Eugênio, expediu uma notificação e enviou imediatamente para a emissora, ainda durante o programa, solicitando a gravação da programação das 07 às 14 horas, quando ainda eram 13h

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Isso é que é tecnologia!!!!!!!


Wi-fi com gambiarra

Com uma panela, um tubo de PVC e um adaptador wi-fi, os moradores da zona rural da Ilha de Java, na Indonésia, montaram um receptor sem fio que se conecta com a internet. Especialistas veem a iniciativa como uma forma de superar os problemas de infraestrutura no país, onde apenas 10% dos habitantes têm acesso à internet.


Revista Época